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Paixão por Fusca     
Minha paixão por carros, em especial pelos Fuscas, vem de muito tempo atrás. Para iniciar a história, nasci em 1975, em um ano difícil para meus pais. Meu pai iniciou sua carreira de motorista em 1979, com um Sedan 69, azul calcinha, se me lembro bem. Depois passou para um Fuscão 73 e finalmente por um Fafá 79 branco, lindão. Durante a década de 80, minhas viagens sempre foram a bordo de Fuscas.
Lembro que seu Lauro fazia milagres, colocava quatro adultos e mais quatro ou cinco crianças no Fafá, isso hoje em dia dá multa! Mas naquela época, era muito divertido, meu lugar preferido era o chiqueirinho, ou na cozinha, como chamávamos...
Quer ver na temporada de verão! Ainda hoje não consigo acreditar como carregávamos tanta coisa num Fusca: Minha família, (somos em quatro) e mais: Bicicletas presas no “Transcaloi”, televisão, ventilador, pranchas de isopor, roupas e comida para a temporada inteira.
Mais tarde já grandinho, minha primeira experiência como motorista foi a bordo do Fafá branco: Após lavá-lo, meu pai mandou guardar o carro na garagem, e eu, super empolgado, entrei dentro e já fui ligando o motor. Nem imaginava que era preciso pisar na embreagem quando a marcha estivesse engatada. Resultado: O carro foi andando, andando e acabou parando em um poste na frente de casa. Por sorte os estragos foram pequenos: Apenas um pára-choque amassado!
Se for contar todas, tenho muitas histórias sobre a ligação de nossa família com os Fuscas, na aquela época todos os parentes tinha Fusca! Mas essa narrativa iria ficar muito longa. .

No final de 1989, meu pai vendeu o Fafá e comprou um Gol, apoiado por todos nós, pois o Fusca já era apertado e ultrapassado para nossa família.
Passou um bom tempo e logo que comecei a trabalhar em meu primeiro emprego, na oficina Erlen do senhor Ernesto Spiess, tracei um objetivo em minha vida: Juntar dinheiro para comprar um carro em no máximo dois anos.
Naquela época, morava próximo a oficina, um senhor que possuía um Fuscão vermelho muito bonito. Quando eu estava chegando na oficina o homem saía para trabalhar, eu via aquele carro todo dia e dizia para min mesmo: Um dia vou comprar um Fusca igual a esse!
Consegui comprar um carro um mês antes de esgotar o prazo que dei a min mesmo, mas não foi um Fusca, nem eu trabalhava mais no Erlen.
Troquei de emprego, passei a trabalhar na Embraco e na pressa de estar motorizado, juntei todas as minha economias e comprei um Fiat 147.

Passaram vários anos e tive vários carros, mas continuei com minha paixão pelos Fuscas, esperando o momento certo de realizar meu sonho.
No momento que julgava ser o certo, juntei algum dinheiro e comecei a procurar o carro de meus sonhos: Tinha que ser um Fusca, mas não poderia ser um modelo anterior a 1971, nem posterior a 1978. Sempre gostei mais dos modelos dessa época, os mais bonitos em minha opinião.
Vi muitos carros, uns bonitos outros nem tanto. Não só Fuscas, também alguns TL’s, Opalas, Jeep, Gordini e até um Gurgel!!
Acabei encontrando o meu 1600 e apaixonei por ele, não houve jeito de me convencer do contrário, era esse que eu queria e pronto!
Fechei o negócio e levei meu Fusca 1600 1976, marron savana para casa, deixando alguns detalhes para depois.
Eram detalhes importantes, tais como: Não tinha garagem para todos os carros da casa, um sempre ficava na chuva. E pode ter certeza que seria o Fusca!
Não avisei minha família, nem minha noiva, simplesmente cheguei em casa buzinando feliz da vida, com um enorme sorriso no rosto. Tudo foi acertado, a garagem a família e mais alguma coisa no carro que foi preciso consertar.
A algum tempo atrás pensei em vender o Fuscão, ofereci a uma amiga, que me disse: “Marcelo, não venda! O Fusca é a sua alma!” Falei a ela que preferia ter alma de Porshe, Ferrari, Mercedes, mas no fundo gostei de ouvir aquilo. Sei que quando passa um Fusca na rua, algumas pessoas lembram de min!
Hoje quando olho para o meu carro lembro dos tempos de criança, das viagens na cozinha e das brincadeiras. Em seguida lembro dos sonhos de adolescência, da vontade de ter um carro e do Fuscão vermelho do vizinho que nunca mais vi.
Me sinto feliz e satisfeito em dirigir o “meu 76”. Mesmo quando muitas pessoas pensam: Como é que pode esses malucos gostarem tanto de coisa velha?

Marcelo Larsen
Joinville/SC