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Viagem Brasil - Argentina - Chile     
Matéria gentilmente cedida pelo site www.clubedofordinho.com.br

Este Ford Phaeton 1929 fez 80 anos e para comemorar este ilustre aniversário nada melhor do que uma viagem, mas não uma qualquer,
uma ao exterior, com todo o estilo que ele merece e como ele já conhecia o Atlântico, foi levado a conhecer o Pacífico, passando pelos
Andes e dando uma volta pelo Deserto do Atacama.

A partida foi em 16 de dezembro de 2009, porém, o planejamento, levou um ano, o sonho, entretanto, muito mais tempo.

O carro foi preparado para essa ocasião e partiu de Mairiporã, São Paulo, às 7,00 hs, devidamente abastecido, limpo, com as bagagens
de seus condutores em ordem. André, piloto, Otávio, o co-piloto da aventura, partiram sozinhos, munidos de coragem e disposição, pois não sabiam o que iriam enfrentar,
a não ser o prazer de conduzir o Fordinho. Enfrentaram o congestionamento da Régis Bitencourt e a chuva forte, até que aconteceu o improvável. O coletor de escape, original do
veículo, portanto com 80 anos, quebrou.  O choque térmico entre o frio da chuva com granizo e o calor intenso o fez romper. Logo no primeiro dia este emprevisto mecânico, ocorrido perto da cidade da Lapa, no Paraná, às 16,13 hs., onde foi possível fazer o reparo
com solda metal e o carro estava pronto para seguir viagem, o que somente seria feito no dia seguinte, em razão do horário. Apesar da chuva, o sol aparecia, sendo possível avistar as belas paisagens do sul do País.
Depois de uma pernoite em uma cidade próxima a Saldanha Marinho, no Rio Grande do Sul,  saída para conhecer as Missões Jesuítas em
solo brasileiro. São Miguel das Missões, a mais famosa de todas. Em São Borja há uma entrada para a Argentina, pela cidade de Santo Tomé, mas a travessia não foi possível, porque o chefe da Aduana
argentina não foi muito amável.  Alegou que carro de coleção não podia entrar naquele país, exceto se houvesse um convite para exposição,
ou o pagamento de imposto de importação, além de uma fiança.  Nada agradável, recusou-se a dar o nome.
Os funcionários argentinos no Consulado em Uruguaiana foram muito prestativos, em especial a D. Isabel e o Sr. Eduardo Quijano, que os
tranqüilizou e mandou o carro atravessar por Uruguaiana, sendo possível ingressar na Argentina, com toda tranqüilidade, tendo como primeiro
descanso local a cidade de Paso de Los Libres.   A última cidade como destino argentino foi a magnífica Mendoza, onde o André e o Otávio, já avistando a Cordilheira dos Andes, puderam
conhecer as famosas vinícolas do lugar. A travessia da Cordilheira, feita no dia 23 de dezembro, foi uma grande emoção, diante da beleza natural, a imensidão das montanhas e a sensação de que esta viagem jamais será esquecida.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
     
     
     

 PARTE II

Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor.”

 

A divisa entre e Chile e Argentina fica no meio da Cordilheira e levou três horas toda a burocracia. Carimba daqui, carimba dali,
e o Fordinho estava “listo” para seguir até Santiago no Chile. A distância entre Mendoza e Santiago é de 365 Kms, mas foi transposta em 10 horas, porque além da demora na Aduana, muitas
paradas para fotos, havia muito trânsito em Santiago, pois era quase véspera de Natal.   Em Santiago o Fordinho encontrou com suas outras passageiras. Clara, Beatriz, Luiza e Dora foram de avião, preferindo um caminho
mais suave. Três horas e meia de conforto e vislumbrando os Andes pelo alto. Talvez não seja tão emocionante, mas é um outro ponto de vista. Foram feitos muitos passeios pela capital chilena, além de levar o Fordinho para conhecer o oceano Pacífico em Valparaiso,
onde ele não pôde andar nos famosos ascensores, e Viña Del Mar.   Há que se dizer que o Fordinho nunca mais será o mesmo. No Chile ele fez o maior sucesso, pois, como disseram os chilenos,
por lá, carro antigo andando pelas ruas é uma enorme raridade. Vindo de São Paulo, então, nem se fala. Foram tantas as explicações... Foram muitas poses para fotos.   Dia 28 de dezembro, o Otávio voltou para São Paulo de avião, com a Bia, a Luiza e a vó Dora.  

 

 

 

 

 

 
   
 
     
     
     
   
 
PARTE III
“Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.”

 

Dia 29 de dezembro o André e a Clara tomaram a estrada rumo ao Deserto do Atacama, considerado o deserto mais alto e mais árido do mundo, local onde existem pouquíssimas cidades e a mais famosa, San Pedro de Atacama, o destino
para a virada do ano.A estrada utilizada foi a Panamericana, que possui 48.000 Kms de extensão, da Patagônia até o Alaska. As paisagens são quase desérticas o tempo todo, muitas vezes pode-se avistar o Pacífico e do outro lado o deserto.  

Novamente muitas fotos. Até a funcionária de um dos pedágios desceu de sua cabine para fotografar o Fordinho.

O clima foi ficando frio com a altitude, sendo necessário colocar umas folhas no radiador para diminuir a refrigeração.

Foi possível conhecer a escultura “A mão do deserto”, na região de Antofagasta, do artista chileno Mario Irrizabal.

Em Antofagasta, uma das cidades para pernoite, à beira do oceano, os funcionários do hotel não deixaram por menos. Reuniram-se na garagem para muitas fotos.  

Interessante notar que no Chile, como na Argentina, as pessoas pediam permissão para tirar foto.

A chegada a San Pedro do Atacama foi em 31 de dezembro e a cidade está a 2.400 ms de altitude, mas antes de chegar lá,
a altitude varia até 3.500 ms. A cidade é um caso a parte. Foi possível deslumbrar paisagens incríveis, como o “Vale da Lua” e os famosos Gêiseres del
Tatio, a 4.390 ms de altitude e a temperatura de -7ºC, portanto, passaram frio.   Também foi possível conviver com Lhamas e Vicunhas. A vicunha é o menor animal da espécie dos camelídeos, já as lhamas são maiores e foi domesticada  pelo povo Inca e só vivem na Cordilheira dos Andes, onde as temperaturas são mais baixas. O sol no Atacama é escaldante, mas na sombra, felizmente, não fazia calor, esfriando quando anoitecia.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 
PARTE IV

 

Dia 03 de janeiro de 2010 o destino já era a volta para casa.

Como no deserto não há nada, a Aduana chilena fica em San Pedro do Atacama, já a argentina fica a 160 Kms, em Paso de Jama. Entre elas não há civilização, mas há lindas paisagens, como as fofas lhamas e os muitos salares, que são lagos de sal. A altitude chegou a 4.824 ms e o ar era bem rarefeito. O mais deslumbrante, o vulcão Licancabur, que fica na linha divisória entre o Chile e a Bolívia. Tem 5.916 ms de altura e é considerado o mais imponente vulcão dos Andes.  

O ingresso na Argentina se deu sem nenhum problema ou maiores questionamentos sobre o carro.

Novamente foi necessário atravessar os Andes, em curvas de dar medo.

A primeira pernoite na Argentina foi em Purmamarca, uma bonita cidade ao pé da Cordilheira.

Depois de Salta, o caminho para voltar atravessa o norte argentino, pela ruta 16, para chegar a Foz de Iguaçu, sendo que as principais cidades são Corrientes e Posadas. Neste caminho o calor foi infernal, de mais de 40ºC, então, dá para imaginar dentro do Fordinho.   Entre uma cidade e outra não havia muita coisa, mas quando se buscava um posto de combustível, ou não havia gasolina, ou faltava energia, até que chegaram a uma cidade chamada “Pampa del Infierno” onde foi possível abastecer e comer uma “parrilla”. O calor era de morte e o restaurante, claro, não tinha ar condicionado, até que uma simpática argentina se aproximou da mesa e os convidou a  tomar um café em sua casa. Foram e passaram agradáveis três horas conversando sobre a política argentina em um excelente ar condicionado. O anfitrião se chama Jesus e Elba sua mulher. Fizeram a questão de mostrar a hospitalidade argentina dando muita atenção, pois consideraram inapropriado seguirem viagem com todo aquele calor (44ºC).  

Já bem próximo à divisa com o Brasil, pararam em uma das missões jesuítas na Argentina, a de San Ignacyo Mini.

Chegaram ao Brasil, por Foz de Iguaçu, no dia 7 de janeiro e em casa, destino final, Mairiporã, no dia 8 à noite.

9.200 Km de estradas, trilhas e passeios.  Um coletor de escape soldado e um pneu furado. Muitas histórias para contar.

     
     
     
     

 
   
     
       
Suporte Tecnico  - Ronnie  Moreno Hidalgo
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Fotos: André, Beatriz, Otávio e Maria Clara Falavigna

Texto: André e Maria Clara Falavigna

Reprodução do texto ou fotos somente com autorização (art. 20,  CC).