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Um mutirão para fazer o Galaxie de JK voltar a brilhar     
Exército reforma carro de ex-presidente com a ajuda de grupo de entusiastas

OFord Galaxie 500 estava na entrada do Memorial JK, em Brasília, há mais de 20 anos. O carro — que pertenceu ao expresidente Juscelino Kubitschek
— ficava exposto num aquário de concreto e vidro. Parado, tomou muito sol e se deteriorou.
A salvação veio em abril. Em um baile dos 50 anos de Brasília, Anna Christina Kubitschek, neta de JK e presidente do Memorial, viu um Mercedes 220, ano 1963, que pertencera ao avô.
— Atendendo a um pedido dos pioneiros de Brasília, nós havíamos posto o Mercedes para andar e dado um polimento
— conta o coronel Antonio Eliazar, do 16º Batalhão Logístico.
Anna Christina falou do Galaxie e o coronel Eliazar topou o desafio de fazer a restauração na oficina militar, pelo que o carro significa para Brasília.
Aí, entraram no circuito os “Amigos do Galaxie”, grupo de fãs e proprietários do velho modelo da Ford. Espalhados por todo o Brasil, eles se encontram pela internet e em reuniões ao vivo. Atentos a todos os detalhes, eles estão dando orientações e doando diversas peças, para que o carro fique original.
— O sol acabou com a forração e pintura. Havia também podres, remendos mal feitos e frisos presos com rebite — conta Dino Dragone, autor do livro “Galaxie, o grande brasileiro”.
Membro dos “Amigos do Galaxie”, Dino já foi de São Paulo a Brasília ver a restauração. O monobloco foi separado do chassi. A suspensão foi refeita e o motor já funciona redondo. A Basf ofereceu os materiais e um técnico para a pintura.

A expectativa é de que o carro esteja pronto até 12 de setembro, data do aniversário de JK.
Tanto Dino quanto o coronel Eliazar torcem para que o Galaxie seja mantido em marcha e vá a eventos. Se voltar ao aquário, vai se estragar novamente.
Ex-presidente andava de carona no LTD do primo Nos anos 70, com os generais no poder, Juscelino estava cassado e morava no Rio. Queria, porém, estar perto de Brasília, sua obra maior. Nessas viagens, era recebido na capital pelo primo Ildeu de Oliveira:
— Eu tinha um Ford LTD e servia de motorista para ele, que achava o carro bom demais
— conta. Daí JK ter comprado no Rio, em 1974, um Galaxie 500. Era um modelo da mesma linha do LTD, porém numa versão com acabamento mais simples.
— Cheguei a ir com dona Sarah a Petrópolis nesse Galaxie
— lembra Cirlene Luciano, exsecretária da família Kubitschek e hoje diretora cultural do Memorial JK.
Um dia, movido pela nostalgia, o ex-presidente adquiriu a “Fazendinha”, como chamava sua propriedade em Luziânia, Goiás, distante 55 quilômetros de Brasília.
— Daí em diante, o Galaxie ficou aqui em casa e era usado nessas viagens de Brasília à Fazendinha
— diz Ildeu, que manteve o carro guardado após a morte de JK, em 1976.
No funesto acidente na Dutra, Juscelino estava a bordo de um Opala que pertencia a seu motorista, Geraldo Ribeiro.
— Será que JK teria morrido se estivesse nesse Galaxie? — imagina Dino.

Jason Vogel

Fonte: O GLOBO - CARROETC - PÁGINA 3 - Edição: 21/07/2010