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Na garupa do Corcel - O resgate de Richard     
 

Na garupa do Corcel - O resgate de Richard

Histórias de uma tropa bela e veloz...

 

 

Repórter: Joel Martins

 

 

Luz do óleo e do alternador acesas. Puxo o afogador. Dou a ignição. Acendo as lanternas. Motor aquecido. Solto o freio de mão, girando a extremidade da sua alavanca no sentido anti-horário. Engato a ré – enquanto saio da garagem, vejo o reflexo dos meus aros prateados estampar a tinta das paredes laterais. Desço um trecho de 50 metros. Lá em baixo, ao destecer o volante, engato a primeira, subindo estrada acima. Da pequena curva, sigo em linha reta até me deparar com outra sinuosidade. Diminuo a velocidade. Paro. O caminho tem pequenas valetas destinadas a conter volumes de água provenienteda chuva. Arranco, novamente. Prossigo devagar. Estou passando pelo pórtico, agora, cujas cancelas ostentam rodas de charrete na moldura. Aciono o freio. Dou seta à direita. Um caminhão se aproxima. Espero. Chamo a primeira marcha. Acelero.

 

Do lado de fora da minha residência do passado, pego o asfalto denominado de Avenida LL. Eu vou para casa, mas não vou sozinho. O garoto de camisa xadrez, meu amigo, vai comigo. Estou indo resgatá-lo neste exato momento. À minha direita, percebo o célebre ponto de ônibus – o garoto de camisa xadrez costumava pegar o coletivo, aqui. Sigo viagem. Pelo retrovisor do carona, fixo a outra “stop bus” na parte oposta do asfalto. Quantas lembranças do meu amigo...

 

Longo declive acentuado à frente. Redobro a cautela. Confio nos freios dianteiros a disco. Diversos carros passam por mim em sentido contrário. Alterno cruzamentos, curvas, retas, sem contar nos retornos. Quando chego à Centenário, vislumbro, às margens desta avenida, tanto o Supermercado GN quanto a Estação Rodoviária do município carvoeiro. Mais adiante, faço o contorno do Terminal Central.

 

Parado no sinal vermelho, analiso possíveis rotas – uma, especificamente: o prolongamento da Rua CS nomeado pelas letras SDP, com quebra cinco quadras distante daqui – ou retornar à esquina da VG com a JS. Visitar a Rodovia RL não deixa de ser uma opção outrora planejada. De qualquer forma, mantenho o itinerário original sem desfocar o vistoso Lucio Cavaller, na Rua CDC, dividido em 26 andares nos seus 113 metros de altura.

 

Luz verde no semáforo. No percurso sequencial, antes de chegar à SC denominada pelo número quatro repetido trêsvezes, passo pelo receptivo Parque das Nações. Já de fronte à PRE, depois de transpor o trevo do VP, meu teto de vinil causa boa impressão na caserna dos oficiais da lei. Desinibido, abaixo os vidros traseiros – mesmo não tendo mais de duas portas, sou equipado com tal recurso. O garoto de camisa xadrez sempre apreciou essas janelas.

 

Seguindo viagem, opto pela travessia central da cidade dos fumantes. No alto de uma ladeira, paro ante outro sinal vermelho. Com a dianteira parcialmente arqueada, fico levemente inclinado – uma das minhas características amplamente notáveis. O semáforo abre. Dou seta à esquerda e arranco. Minha cor se destaca entre os demais veículos – “MarromFlorentino”, ouço alguém falar. Essa tonalidade é a preferida do meu amigo.

 

De volta à SC numerada por três cardinais, acompanho os carros atuais. Fui adaptado com uma caixa de cinco marchas de um futuro primo. À frente, vejo uma carreta. Tento ultrapassar, porém, um veículo na direção oposta me impede. Nova tentativa. Desta vez, a pista está livre. O motorista do caminhão aumenta a velocidade. Faço o mesmo – atinjo 120 km/h, facilmente. Da cabine, o condutor da carreta acompanha a minha ultrapassagem ao longo dos 20 metros do seu caminhão. “Um Corcel LDO!” Sim, caro colega de boleia, um Corcel LDO, como diria o garoto de camisa xadrez.

 

Ligo o rádio original Philco. Os maiores sucessos de ondas curtas e médias (AM) ressoam no alto falante atrás do banco traseiro. “And you can't go back and ifyou try it fails”, sintonizo nessa canção do além-mar. Ela me faz lembrardo meu amigo – e de mim. “And you can'tgo back and if you try it fails”, começo a cantar junto com a música.

 

NO COMEÇO

 

Eu nasci em 1977. Sou filho da Ford. O membro mais velho da minha linhagem foi concebido no ano de 1968. Nossa história começou quando a minha mãe comprou a Willis-Overland do Brasil em1967, cuja empresa fabricava – sob licença – os carros da Renault nas terras tupiniquins. Na época, ambas desenvolviam o Projeto M (“M”, de médio). Na França, tal planeamento deu origem ao R12; no Brasil, a mim e aos meus irmãos, o Corcel – para delírio do garoto de camisa xadrez.

 

O primogênito da nossa estirpe foi apresentado no IV Salão do Automóvel, já realizado no palácio de exposições do Anhembi, São Paulo, no dia 26 de setembro de 1968. Era um modelo Sedã (4portas), versão Standard – única opção disponível, tanto de carroceria, quanto de acabamento. As vendas iniciais atingiram 4.500 unidades. Num teste realizado em outubro daquele ano, nosso irmão recebeu diversos elogios: “O carro, na arrancada, responde com presteza, funcionando de maneira eficiente como os veículos europeus.” Em tom de aprovação, os freios eram reverenciados, sem esquecer do restante do carro: “O Corcel é o veículo que faltava na faixa dos pequenos para os médios”, lembraria o meu amigo.

 

Paro num trevo. Aumento o volume do rádio. Os parabarros acentuam o foco das rodas aro 13 – rodas, estas, fixadas po rtrês pinos dispostos no formato dos triângulos equiláteros. O trânsito está congestionado, hoje. Bem, você gostaria de saber mais sobre nós? Ok. Em 1969, a mamãe Ford gerou o modelo Cupê (2 portas). Nesse mesmo ano, novas versões equiparam os meus irmãos: Luxo e GT (Gran Turismo), que vinha com teto de vinil, rodas esportivas, faróis de neblina redondos, além de duas faixas laterais pretas com grade do radiador e retrovisores igualmente pretos. E foi em 1969 que nós fomos eleito o carrodo ano pela Revista Autoesporte (o mesmo se repetiria em 1973). Ah, o garoto decamisa xadrez lembra, frequentemente, que eu fui o primeiro carro brasileiro – de 2 portas – derivado de um 4 portas.

 

Nessa época – até 1974, a Concessionária Bino Automóveis de São Paulo, posteriormente incorporada à Sandaco (tornando-se Bino-Sandaco), oferecia um kit opcional, podendo ser adquirido completo ou avulso – assim,  nenhum Corcel era exatamenteigual ao outro, ressaltando a exclusividade do modelo. Equipado com esse acessório, os meus irmãos tinham o motor modificado para 1.5. Além da mudança mecânica, o kit também oferecia faixas decorativas para o capô e as laterais; falsa entrada de ar (scoop); faróis de milha; painel completo com instrumentos colocados em moldura exclusiva; volante esportivo; console de teto e câmbio; molde para a grade; vidros verdes; rodas de magnésio; emblemas; pomo do câmbio; chaveiros e jaquetas da grife. O preço de todos esses opcionais chegava a custar 50% do valor do carro novo. Meu amigo, assim como as pessoas daquela época, referem-se aos meus irmãos – equipados com o referido kit – como “Corcel Bino”.

 

Continuo inerte no trevo. Ah, em novembrode 1970, uma versão dos meus irmãos foi lançada na condição de protótipo no Salão do Automóvel; contudo, a mesma não obteve êxito e sequer entrou em produção –  refiro-me ao falecido Corcel Cobra. Com a mesma mecânica do GT,  o Cobra tinha nova grade plástica em preto fosco, rodas de magnésio de 7 polegadas, faróis de iodo, faixas laterais de três cores, marca “Cobra” nas colunas laterais, persianas em fibra de vidro no para-brisa traseiro e um pequeno aerofólio, também, preto fosco sobre o capô traseiro, terminando como um “rabo de pato”. No refinado interior, bancos em couvin de duas cores, painel completo e volante esportivo. O Corcel Cobra nunca foi colocado em produção. Esse fato condói os sentimentos do meu amigo, o garoto de camisa xadrez.

 

“Será um congestionamento? Não sei”. Ao longe, avisto dois carros estacionados numa lanchonete. São duas Belinas – e as duas, além de tantas outras, são minhas irmãs. Elas foram lançadas em 1970. Chamadas de Perua, Station Wagon, Corcel Belina ou simplesmente de Belina, elas completam a nossa família. Além das versões Standard e Luxo, havia em conjunto a Luxo Especial, exclusividade das manas, cujo painel lateral imitava madeira, tipo jacarandá. Preciso atualizar essa informação com o meu amigo.

 

Tráfego fluente. Desligo o pisca-alerta. O garoto de camisa xadrez considera o meu painel bem equipado e discreto, com dois conjuntos ópticos de visibilidade adequada – neles, estão incorporados o velocímetro; termômetro; marcador do combustível; luzes da bateria, óleo e nível do fluído de freio. Eu e os meus irmãos fomos uns dos primeiros carros no quesito ícones padrão para indicar os comandos, como farol; limpador depara-brisa, entre outros.

 

Enquanto os veículos se dispersam, revejo o tempo passar à minha frente. Em 1971, ocorreu a primeira remodelação da nossa linha. A grade do radiador tornou-se quadrada, tendo o símbolo retangular ao centro com a figura do “cavalinho”; os piscas foram transportados até a parte inferior do para-choque; o retrovisor, outrora redondo, assumiu traços retos; e as lanternas traseiras, dispostas duas de cada lado, ficaram quadradas.

 

No ano de 1973, a Ford fez novas mudanças nos meus irmãos: eles ganharam nova grade do radiador com o logotipo no centro; desenho do capô e paralamas diferente, bem como lanternas traseiras novatas. Quanto à mecânica, todos receberam o motor 1.4, antes restrito apenas ao GT.

 

O mesmo se repetiu em 1975: todos tiveram a frente e a traseira redesenhadas, além de modificações na carroceria. Remodelou-se, também, o interior – estofamento e painel. Uma nova versão foi adicionada à família: LDO, como eu (Luxuosa Decoração Opcional). Os bancos e a forração combinam duas cores, marrom e bege. Externamente, temos filetes pintados em cores contrastantes na linha da cintura e uma mini-lanterna na lateral traseira. As rodas são prateadas; o teto de vinil, a critério do tutor. Essa é a versão preferida do meu amigo.

 

RELEMBRANDO

 

Engato a primeira – aproveitei o tráfego ausente para cruzar a rodovia. Do outro lado do trevo, imbuído na rota destinada, eu gostaria de falar sobre os meus irmãos e irmãs – 14 deles, especificamente. Luiz César Reis de Sousa, representante comercial (Fortaleza –CE), é tutor do primeiro da minha lista – um Standard Cupê 1970.  O carro sempre esteve com a família Sousa. César foi trazido da maternidade no Corcel, aprendeu a dirigir nele, além de ir buscar o primeiro filho, recém-nascido, com o veículo. Esse Corcel faz parte da história de César. A família Sousa também é responsável por uma Belina Luxo 1975. Meu amigo irá gostar desse relato.

 

Trânsito liberado, agora. Ainda sobre o cearense: ele e um amigo, Wiby Carvalho, fundaram um clube dedicado a nós. Isso mesmo, um clube dedicado a nós. É o Clube do Corcel / Fortaleza – CE.  A entidade concebeu-se no dia 05 de janeiro de 2008. Com 30 afiliados, a corporação zela por 55 Corceis – dentre eles, Luis Sandoval, sozinho, coleciona 26 manos e 01 Belina. Esse tutor adquiriu o primeiro Corcel em 1973, porém, o carro foi roubado com cerca de 500 km rodados. Esperançoso, Sandoval acreditava piamente que ia encontrar o carro. Para tanto, ele iniciou a busca comprando exemplares do veículo, levando o colecionador a nutrir o desejo de ter todos os modelos e versões do Corcel. Entre 1968 e 1977, são 71 ao todo. Boa sorte, Sandoval! Você consegue.

 

Curva sinuosa à frente. Reduzo avelocidade. O próximo mano da listagem é um Corcel Luxo Sedã nascido em 1970. Seu primeiro tutor foi o senhor Arno Waldemar Dohler, pai do prefeito de Joinville nesta gestão, 2013-2016, Udo Dohler; o segundo, Otto Muller; o terceiro e atual, Gilceo Garcia Gonçalves, psicólogo (Joinville – SC). Ele já teve vários Corceis. O veículo sempre despertou o apreço do psicólogo: “É um veículo confiável, econômico, confortável e moderno, mesmo tendo saído de linha há muito anos”. Das aventuras vividas ao volante do meu irmão, as odisseias nas estradas têm destaque especial, pois os demais carros se aborrecem com as ultrapassagens do veloz Corcel. E no passado, Gilceo vivenciou um fato inusitado com o Corcel do pai dele (já sei de quem você herdou a simpatia por nós, Gilceo – mas vamos à ocorrência): numa viagem de Minas Gerais ao Paraná, a polícia, numa blitz, encontrou uma arma de 1920 no porta-malas do carro. Era uma peça de coleção. Feito os devidos esclarecimentos previstos na lei, o psicólogo foi liberado sem nenhuma ressalva – isso deve ir para o livro de registros do garoto de camisa xadrez.

 

“Retorno a 01 km”, leio numa placa lateral. Mantenho a rota – estou no caminho certo. O tom desbotado do asfalto pontua a numeração dos meus irmãos relacionados. A vez, agora, é de um Corcel Luxo Sedã 1971, azul. Ele adorava o meu amigo, o garoto de camisa de xadrez. Um sempre esperava pelo outro; ambos nunca saíam sozinhos, estavam sempre juntos. Iam àigreja, ao mercado, a tantos lugares. São tantos fatos memoráveis. Ele ainda selembra de você, meu amigo – ele nunca te esqueceu. E eu sei que você também, não.

 

Aclive a 100 metros. Redobro a cautela. De acordo com o meu catálogo, devo fazer menção a um Corcel GT Cupê 1973. Ele está sob a tutela do jovem Leandro José dos Santos, operador de escavadeira (Joinville – SC). O carro está na família do rapaz há três gerações – foi comprado 0 km pelo avô de Leandro. Este, o garoto de camisa xadrez, certamente, vai querer conhecer.

 

Não há nenhum outro carro na estrada, agora, apenas eu. Estranho, não? Continuando: quero falar sobre o meu irmão, Corcel Luxo Cupê 1973. Ele vive aos cuidados de Renato Santana Junior, vendedorde autopeças (Lages – SC). O carro tem um apelido. Você seria capaz deadivinhar qual é? Deixe-me dar uma dica: “Eu devia estar feliz / porque consegui comprar um Corcel 73”. Acertou? Não? Quase? Ok, eu falo: devido à música do saudoso Raul Seixas, Ouro de Tolo, o carro recebeu o apelido de “Raulzito”. Renato sempre gostou de Corcel desde criança. O pai dele teve mais de 14! Renato, agradeça ao seu “dad” por gostar tanto da gente. A relação do vendedor com o atual Corcel dele teve início em 2005. Renato começou a restauração do meu irmão naquele ano, mesmo, concluindo em 2013. Após os trabalhos de chapeação e pintura, ele próprio “montou” o carro – motor, câmbio, suspenção, acessórios, interior, acabamento, dentre outros. O processo gratificante levou mais de um ano, exigindo extrema dedicação de Renato, como incontáveis noites de trabalho, finais de semana, sem contar nas intensivas madrugadas. O pai dele também ajudou – aliás, o progenitor foi a inspiração para o ano e modelo do Corcel. E não podia ser diferente, afinal, ele é nosso fã (“Thank you somuch!”). Hoje, Renato se alegra com a empolgação do filho de dois anos pedindo para andar no carro. A cena parece um “Déjà vu”, pois o vendedor se vê com seu pai passeando de Corcel. E numa saída esporádica passada, o insólito: com o cuidadode não “bater” a porta do carro (um Corcel, obviamente), Renato, então com nove anos, ficou segurando a mesma no curto trajeto (ela não havia fechado); porém, na última curva (sempre na última), a porta, encostada, abriu-se, projetando o pequeno Renato para fora do carro – voando feito o Superman, mas não muito, ele machucou as pernas e os pés na rua sem pavimento. O susto acometeu pai e filho. Meu amigo precisa ficar de sobreaviso.

 

Começa a chover. Aciono o limpador depara-brisa. Passo por dois carros parados no acostamento. Deixe-me ver quem é o próximo... Ah, sim, a próxima, na verdade. Trata-se de uma Belina LDO 1975. Proprietário, Valmir João Kraisch, engenheiro civil (Joinville – SC), cuja carteira de habilitação foi obtida ao volante de um Corcel Standard Cupê 1975. Mas voltemos à Belina. Ele levou quatro anos para assumir a tutoria dela. A ligação entre os dois começou com a recusa do proprietário anterior em vendê-la. Contudo, com o falecimento do ex-dono, o carro acabaria sendo vendido para alguém que zelasse por ele, no caso, o engenheiro civil. Valmir também zela por um Corcel Luxo Sedã 1972, além de um Cupê 1973 da mesma versão. Na garagem do engenheiro civil tem, também, espaço reservado para um GT 1969 ou 1970. Mais uma história a ser registrada no diário do garoto de camisa xadrez. Boa sorte, Valmir!

 

A chuva cessa. Já estou perto do meu amigo. Mais um irmão: Corcel LDO Cupê 1975. Matheus Volkmann, estudante (Jaraguá do Sul – SC), é o tutor dele. O rapaz sempre gostou de Corcel – tanto é, que ele mantém o meu irmão tampado com uma malha na garagem; só sai com ele para passear. Vou lembrar o garoto de camisa xadrez disso.

 

Quase ao final da Rodovia BP, dobro à esquerda na estrada FJ. O índice aponta para uma Belina Luxo 1975, em restauração. Minha mana pertence ao estudante Heitor Lopes de Souza (Osasco –SP), nosso fã desde criança. Anteriormente, a Belina era do pai do jovem garoto. Dessa época, Heitor se recorda da súbita falta de combustível no tanque do carro. “Pode isso, meu amigo?”

 

O fim está próximo, ou melhor, o começo, pois estou quase chegando onde o garoto de camisa xadrez se encontra. Na bagagem, a lista prossegue: David Ruiz Pedroso (Santa Fé do Sul – SP), soldador, ganhou literalmente a tutela de um Corcel Luxo Cupê 1976. Uma disputa judicial envolvendo David, indiretamente, acabou premiando o rapaz com o carro. Tudo teve origem num presente prometido à esposa grávida de David, Elisângela – seria um presente qualquer; seria, não fosse o Corcel surgir na frente da esposa do soldador. Pronto, estava ali o presente. Tamanha surpresa por pouco não antecipou o parto da gestante. Todavia, como citei, o carro estava envolvido num processo relativo a inventário familiar – David comprou o Corcel desconhecendo a procedência dele. Agora, a sorte estava lançada. Tudo dependia do sistema judiciário. Por força do destino, ou não, não sei, os membros da família desentenderam-se entre si – motivo: finanças. Resultado: David herdou ocarro. Questão resolvida. Esposa feliz. Consequência: o soldador se filiou ao Clube do Antigomobilismo de General Salgado – SP.

 

TUDO SOBRE MIM

 

Próximo do final da rodovia FJ, ameaça chover, novamente. Elevo os vidros ao níveo do pinga-gota. Pelas ondas AM da antena inclinada, outra canção do pós-Atlântico: “Then I guess I must have lost it on the wind”. Absorto na música, escuto alguém me chamar: “Olha, pai, um Corcel!” Retribuo a gentileza com a buzina – era um menino. “Then I guess Imust have lost it on the wind”, gostei da canção.

 

Posso fazer uma pergunta? Você nos conhece bem? Independente da resposta, eu e os meus irmãos somos um carro macio, ágil, confortável, econômico e de fácil manutenção. Desde o nosso lançamento em 1968, o amplo espaço interno nos diferenciava entre os demais veículos. Luis César Reis de Sousa testifica isso. E mais: o radiador selado, pioneiro no ano de nascimento do meu irmão mais velho, é utilizado por muitos carros até hoje. O sistema consistia no seguinte: quando a temperatura chegava aos 90º C, a porção d’água era transferida para o reservatório de expansão; após esfriar, retornava ao radiador. A tração dianteira oferecia maior desempenho, diminuía o peso, proporcionava mais espaço no interior do veículo, além de significar menor consumo, também. Até 1974, os meus irmãos adotavam o sistemade cruzetas; a partir de 1975, elas foram substituídas por juntas homocinéticas, popularmente conhecidas como “semi-eixo” na época. O motor na frente com 5 mancais reduz o atrito, aumenta a potência, diminuindo, assim, aquecimento, peso e consumo. Nossa suspenção dianteira independente proporciona maior curso, segurança, maciez, sem contar na melhor estabilidade do carro. Posso dizer o mesmo do eixo rígido traseiro – ele acentua a boa direção. E a direção bipartida? Além de oferecer conforto e segurança, protegendo o motorista em caso de acidente, ela alinha a posição do volante em relação ao condutor. Dividida em duas partes, a direção bipartida efetua a junção da caixa de direção com o volante – núcleos permitem movimento de rotação em diversos ângulos. Quanto ao capô, ele abre de trás para frente, evitando abertura acidental. Falta mais alguma coisa? Ah, sim, não comentei sobre isto: alavanca de marchas direto no assoalho. Foi inovador, pois, nos demais veículos, ela ficava na coluna de direção. Por fim, o longo curso de molas responsável pelo conforto extra dos passageiros. Puxa, Luis César Reis de Sousa, você nos conhece bem, mesmo. Muito obrigado! Meu amigo sabe tudo isso de cor, também.     

 

LEMBRE-SE DE NÓS

 

Sigo estrada adiante. Falta alguma coisa, não falta? Não relatei cinco Corceis da minha lista. Vamos, lá! Lucas Guesser (Guaramirim – SC), estudante, herdou do pai o apreço pelos descendentes do Projeto M (com o garoto de camisa xadrez foi um pouco diferente). O primeiro do “dad” dele foi um GT – e continua sendo, porque o pai do Lucas ainda tem o carro (o mesmo aguarda reforma). Com o passar do tempo, o progenitor do jovem Guesser foi adquirindo Corcel  após Corcel. Já teve de várias cores: branco, verde, dentre tantas outras. Atualmente, o pai do rapaz tem o GT, um marrom e um azul 1977. Este último, Luxo, será do Lucas. Ele tem 16 anos e mal pode esperar a hora de tirar a CNH. Lucas pretende ter, no mínimo, quatro Corceis. Eu apoio a ideia.

 

Agora, é a vez de Jucie de Campos, pintor (Nova Prata – RS). Ele é tutor de um Corcel LDO Cupê, também, 1977. Ninguém, como ele, sente a felicidade de dar a partida no carro toda manhã. O pintor concretizou um sonho. A devoção por mim e pelos meus irmãos começou quando ele tinha 11 anos de idade. Um Corcel 1972 principiou essa história. Pertencia ao primo de Jucie. Tempos depois, o pai dele comprou um mano 1975. Ficou pouco tempo com o veículo. Adulto, Jucie teve diversos carros; no entanto, ao ver um Corcel, ele sempre se ressentia da paixão pelo carro – até assumir a tutela do meu irmão nascido em 1977. É, Jucie, o Corcel faz parte da sua vida e, provavelmente, fará parte da vida dos seus futuros filhos – da vida do garoto de camisa xadrez, ele já faz.

 

O próximo da minha relação é o jovem Mauricio Sill, mecânico industrial (São Bento do Sul – SC). Ele cuida de um Corcel Luxo Sedã 1977. A história desse carro iniciou com os avós de Mauricio, Evaldo e Adélia. Na hora de comprar um veículo, em qual eles pensaram? Nem preciso responder, não é. O Corcel azul metálico chamava atenção por onde passava. Mas no dia 16 de dezembro de 1982, o impensável: três homens invadirama casa do senhor Evaldo. Amarraram a família inteira. Como não encontraram dinheiro na residência, levaram o carro com apenas 4.000 km rodados. Meio ano depois, o avô de Mauricio adquiriu outro Corcel – ano do carro, 1976, duas portas. Porém, seu Evaldo nunca perdeu a esperança de reencontrar o Corcel surrupiado – o que acabou acontecendo: ele recebeu a notícia do paradeiro do carro. O veículo estava noutra cidade, cerca de 60 km de distância. O Corcel, agora pintado de laranjado, trabalhava como táxi. Com o auxílio da polícia, o carro, ao ser vistoriado, não tinha documento nem numeração do chassi, revelando cor azul metálica no interior da forração das portas – essa foi a prova cabal, era o Corcel do seu Evaldo, mesmo. Lembrei-me da procura de Luis Sandoval pelo Corcel dele, também sequestrado. Não perca a esperança, Sandoval! Bem, a primeira providência do avô do jovem Mauricio foi pintar o carro de bege. Após alguns anos, impedido de dirigir pela idade, seu Evaldo vendeu o Corcel recuperado para uma sobrinha – dessa forma, o carro permaneceria com afamília. Mauricio, sempre desejoso de ter esse Corcel, comprou o veículo da sua parente cerca de um ano e meio, depois. Felicíssimo, ele visitou o avô. Pela buzina, seu Evaldo relembrou-se do carro, confirmado a legitimidade do Corcel através da chave geral. Mauricio, agora é com você – cuide bem do carro,certo?! Minha tutela ficará a cargo do meu amigo.

 

Seguindo a enumeração, mais um caçula do Projeto M, Corcel Luxo Cupê 1977. Wanderson Gornicki Nunes, funcionário público (SãoPaulo – SP), é o proprietário dele. O carro foi uma herança deixada pelo tio de Wanderson, Félix Leonardo Gornicki. O Corcel foi tirado zero na Concessionária Ribeiro Jung de Porto Alegre, RS – data da compra, 31 de março de 1977. Em2002, numa visita ao tio, Wanderson rodou pela capital dos gaúchos a bordo do carro. Enquanto conversavam, seu Félix revelou o desejo de vender o Corcel, futuramente. De antemão, Wanderson se candidatou ao posto. No ano de 2005, como falecimento do tio, o funcionário público herdou o carro – desde a visita de Wanderson, em 2002, seu Félix já decidira com quem o Corcel ficaria. Restava, agora, trazer o carro para Joinville – SC (naquela época, Wanderson residia em Santa Catarina). E foi o que o funcionário público fez: no último mês de 2005, trouxe o Corcel para a Manchester Catarinense. O carro tinha apenas 16.800 km percorridos. O inusitado ficou por conta dos pneus. Todos, incluindo o estepe, eram originais de fábrica. Wanderson, você possui uma raridade. Essa, o garoto de camisa xadrez precisa saber.

 

Por último, mas não menos importante, afinal, trata-se dos meu irmãos, temos o Corcel Luxo Cupê 1977, sob a responsabilidade de Eduardo Henrique Zimmermman, técnico em mecânica (Ijuí –RS). Fascinado por carros antigos desde sempre, ele aprecia a nossa luxuosidade interna, considerando-nos de fácil manutenção. A relação com a minha linhagem começou quando o pai dele, anos atrás, comprou um Corcel Luxo 1974. Os traços herdados do Mustang impressionavam o então menino de 13 anos. Eduardo, digamos assim, adotou o Corcel, criando um forte vínculo com o carro. Todavia, numa pesarosa manhã, o futuro técnico em mecânica presenciou a venda do Corcel. Ele próprio entregou as chaves do meu mano para o novo dono. Entristecido, Eduardo não apenas passou dias pensando no Corcel perdido, como também chorou por ele algumas noites. Sua dor é a minha, também, meu caro corceleiro. Mas em 2013, já com 18 anos, o rapaz decidiu comprar um carro – não um carro qualquer, um Corcel. A procura terminou na casa do avô de Eduardo, único dono de um... Adivinhe qual era o carro dele? Nem preciso responder. Proveniente da IVESA, agência autorizada da Ford na cidade de Ijuí – RS, tal Corcel sempre foi alvo do apreço do técnico em mecânica. Conversa vai, conversa vem. Conclusão: Eduardo ganhou o carro do avô dele. Era o Corcel dos sonhos. Tinha 58.518 km originais. Ele fez algumas alterações, como rodas aro 13, banda branca nos aros, dentre outros. E num de seus passeios pela BR, Eduardo se deparou com uma preocupante Caminhonete Mitsubishi L200 Triton. Recebendo sinal de luz o tempo todo, nosso destemido condutor reduziu a velocidade do carro. Não foi ultrapassado. Seria algum problema no Corcel? De jeito nenhum, é um Corcel, pessoal! Opinião a parte, a Pick Up, buzinando, fez a ultrapassagem. Mais à frente, a mesma estava parada no meio da pista com o dono sinalizando “pare”. Eduardo, talvez refém de toda sorte de receios possíveis, não sei, estranhou tal abordagem; contudo, o fato residia no interesse – do proprietário da Caminhonete – pelo carro de Eduardo. Dono de duas Belinas, o homem pretendia comprar um Corcel. Depois de conversarem, o técnico em mecânica, antes de “ceder” às possíveis propostas de venda, foi embora. Oh, Eduardo, você não ia se desfazer do meu irmão, ia? Imagino que não. Meu amigo jamais me venderia. Você também não, eu sei.

 

Bem, essas são apenas algumas histórias dos corceleiros e dos meus irmãos espalhados pelo Brasil, afora. No ano de 1977, encerrou-se a nossa produção. Desde o começo, foram vendidos quase 650.000 veículos. Fomos sucesso do início ao fim – e, graças a vocês, ainda somos. Obrigado a todos os clubes e redes sociais dedicados à nossa família. Nós amamos cada corceleiro! Muito obrigado, mesmo.

 

DE VOLTA PRA CASA

 

E por falar em adeptos da linha, falta o mais dileto deles – pelo menos pra mim, especificamente. Refiro-me ao garoto de camisa xadrez. Apesar da sua ligação com o mano nascido em 1971, sou eu o modelo e versão preferida dele (é o sonho de uma vida inteira). Vou buscá-lo. Só pude ir, agora. E eu não ia embora sem ele. Nunca!

 

Desatou a chover forte. Escureceu. Ligo os faróis. Aciono a luz alta nos pés. Depois de percorrer um longo trecho, viro à esquerda. Sigo em frente. Ao fim de uma estrada de mais de 2 km, dobro à direita. A certa altura do percurso rumo à localidade LCM, cuja rota conheço centímetro por centímetro, meu amigo a vista a minha traseira “fastback” de longe. O ronco alto do motor não o confunde. Agradável, o som é um charme adicional de um clássico dos anos 70. Com os olhos marejados, meu amigo sabe que sou eu. Ele espera por mim há tanto tempo. Esperava. Não espera, mais. Estou aqui. Você conhece a sensação de um gol classificatório marcado nos acréscimos de uma partida de futebol? No caso de resposta afirmativa, você certamente entende o que eu estou querendo dizer, porque quando dou seta e entro à direita, o garoto de camisa xadrez corre na minha direção. Meu amigo de tantos anos, de uma vida toda. Esquecido no passado. Mesmo grande, parece pequeno, ainda... Perdoe-me pela demora... Emocionado, dou sinal de luz com a seta do pisca. “Sou eu!” Paro perto dele. Abro a porta – as lanterninhas de cortesia acendem. O garoto de camisa xadrez não assume a minha direção. Ainda não está pronto. Ergo o banco (o encosto se inclina de lado para facilitar a entrada). Livre, meu amigo se acomoda no assento traseiro. Travo as portas. Vamos embora. Jamais voltaremos aqui. Eu prometo.

 

Vestido com roupagem heroica, o garotode camisa xadrez se despede, de uma vez por todas, da Zona Fantasma. Essa era aúnica forma de ganhar a liberdade usurpada – o uniforme somado a mim. “This is the last time”, cantarola a música no rádio. “This is the last time”.

 

Mantenho a luz interna acesa. Ele ficamais tranquilo, assim – principalmente às margens da necrópole, onde a paz da eternidade contradiz o assombro dele. Não se preocupe com a escuridão, amigo, minhas lanternas e farois nos levarão pra fora daqui. Quanto à velocidade, sou “mais rápido do que uma bala”. Já fomos a vários lugares juntos...  E há muitos outros pra gente conhecer.   

 

Completado o percurso de volta, paro no trevo da BR de três dígitos. Conheço o itinerário, porém, a decisão precisa ser dele. “Vamos pra casa.” Vamos pra casa. Mais de três décadas, depois, vamos pra casa. Entro à esquerda, sigo reto, dobro à direita desnivelada, fazendo uma curva fechada até alcançar a rodovia federal. Apago a luz.

 

Acompanho os demais carros em paridade. Não sou apenas um belo cavalo, sou também um cavalo veloz. Aqui, faço até 13 km por litro. De 1968 até 1972, com exceção do modelo esportivo, nosso motor era de 1.3 litros com 68 CV. O primeiro Corcel GT, com a mesma cilindrada das outras versões, Luxo e Standard, tinha apotência ampliada para 80 cavalos. Em 1971, chegava o novo motor de 1.4 e 85 CV. Era o XP (Extra Performance – ou Desempenho Extra). A partir de 1973, como falei anteriormente, toda a família passou a ser equipada com esse motor.

 

Pelos retrovisores, outro adeus definitivo do garoto de camisa xadrez. São dois, na verdade. Lá no OuroNegro... Lá no Majestoso... Lá naquele lugar... O tecido quadriculado... “Where is the love?”, de repente, balbuciam as ondas AM. Ele se ressente. Não se apoquente, meu amigo, pessoas destinadas a ficar juntas sempre se encontram no final. Você sabe disso e sabe melhor do que eu. Do alto do Mirante, basta fitar o Morro da TV. “Where is the love?”

 

Cessou a chuva. Folheando o manual de instruções, o garoto de camisa xadrez se dá conta da importância de pilotar um Corcel mais uma vez. Sorridente, ele muda a estação do rádio. “And you can't go back and if you try itfails”. Focamos nos quilômetros vindouros, agora. “And you can't go back and if you try it fails”. À nossa frente, o asfalto nos conduzirá à Europa brasileira, nosso verdadeiro lar tardio... Meu e do garoto de camisa xadrez – o meu velho amigo, Richard.

 

 

Corcel.

 

 

 

UNIDADES PRODUZIDAS: CORCEL I

 

1968 - 4.594

1969 - 44.070

1970 - 32.072

1971 - 47.824

1972 - 60.947

1973 - 61.068

1974 - 66.742

1975 - 72.327

1976 - 77.232

1977 - 45.434

 

TOTAL: 512.310 unidades produzidas do Corcel I

 

UNIDADES PRODUZIDAS: BELINA I

 

1969 - 7

1970 - 7.831

1971 - 5.258

1972 - 9.507

1973 - 12.811

1974 - 15.167

1975 - 17.385

1976 - 20.458

1977 - 13.518

 

TOTAL: 101.942 unidades produzidas da Belina I

 

 

Fonte: Clube do Corcel / Fortaleza - CE

 

 

CORCEL / BELINA: VERSÕES

 

1968

 

Corcel Sedã: Standard

 

 

1969

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo,

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT

 

 

1970

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT

Belina: Standard, Luxo, Luxo Especial (Laterais de Jacarandá)

 

 

1971

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT

Belina: Standard, Luxo, Luxo Especial (Laterais de Jacarandá)

 

 

1972

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT XP

Belina: Standard, Luxo, Luxo Especial (Laterais de Jacarandá)

 

 

1973

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT

Belina: Standard, Luxo

 

 

1974

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT

Belina: Standard, Luxo

 

 

1975

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT, LDO

Belina: Standard, Luxo, LDO

 

 

1976

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT, LDO

Belina: Standard, Luxo, LDO

 

 

1977

 

Corcel Sedã: Standard, Luxo

Corcel Cupê: Standard, Luxo, GT, LDO

Belina: Standard, Luxo, LDO

 

 

Fonte: Luiz César Reis de Sousa.

 

 

TABELA DE CORES

 

1970

 

Vermelho Cardeal

Azul Aurora

Azul Diplomata

Cinza Marabu

Ocre Monterrey

Verde Icaraí

Verde Paineira

Amarelo Bonanza

Bege Panamá

Branco Alpino

Vermelho Calipso

Preto Bali

Cores Especiais

 

1971

 

Vermelho Cardeal

Azul Cristal

Azul Mosaico

Turquesa Royal

Azul Colonial

Verde Arlequim

Verde Pampa

Amarelo Itapoã

Bege Jangada

Branco Alpino

Vermelho Calipso

Verde Tropical

Preto Bali

Cores Especiais

 

1972

 

Preto Bali

Marrom Canela

Vermelho Cadmium

Laranja Nepal

Amarelo Itapoá

Amarelo Pop

Verde Selva

Verde Patropi

Azul Aquarius

Turguesa Água

Branco Nevasca

Especial ouPrimer

TurquesaMetálico

Castanho Persa

Azul Real Metálico

 

1973

 

Preto Bali

Branco Nevasca

Vermelho Cadmium

Turquesa Tahiti

Bege Palha

Amarelo Tarumã

Verde Tortuga

Verde Angra

Marrom Terracota

Azul Colonial

Especial ou Primer

Prata Antares Metálico

 

1974

 

Preto Bali

Branco Nevasca

Vermelho Cadmium

Bronze Fogo Metálico

Marrom Ginger Metálico

Ouro Ubra Metálico

Azul Portela Metálico

Azul Colonial

Azul Nautilus Metálico

Vermelho Salgueiro Metálico

Verde Mangueira Metálico

Verde Jade Metálico

Bege Camurça

Vermelho Jambo

Especial ou Primer

Azul Regata

Castanho Persa Metálico

Azul Real Metálico

Amarelo Indy

Laranja Mandarim

 

1975

 

Preto Bali

Branco Nevasca

Vermelho Cadmium

Verde Selva

Marrom Ginger

Ouro Libra Metálico

Azul Portela Metálico

Prata Antares Metálico

Marrom Tamarindo Metálico

Bege Palha

Azul Colonial

Azul Nautilus Metálico

Vermelho Salgueiro Metálico

Verde Mangueira Metálico

Verde Jade Metálico

Bege Camurça

Vermelho Jambo

Especial ouPrimer Metálico

Azul Regata

Castanho Persa Metálico

Azul Real Metálico

Amarelo Indy

Amarelo Tarumã

Laranja 750

Laranja Mandarim

 

1976

 

Preto Bali

Branco Nevasca

Vermelho Cadmium

Amarelo Augusta

Azul Portela Metálico

Azul Colonial

Amarelo VilaRica

Turquesa Laguna

Marrom Madeira

Especial ou Primer

Bronze Lancer Metálico

Oasis Metálico

Verde Capri

 

1977

 

Usada até 31/08/1976:

Preto Bali

Branco Nevasca

Vermelho Cadmium

Amarelo Augusta

Azul Portela Metálico

Turquesa Laguna

Marrom Madeira

Especial ou"Primer" metálico

Bronze Lancer Metálico

Verde Oasis Metálico

Verde Capri

Vermelho Mustang

 

A partir de 01/09/1976:

 

Preto Bali

Branco Nevasca

Azul Surf Metálico

Amarelo Interlagos

Ocre Damasco

Turquesa Monarca

Azul Elite

Marrom Florentino

Especial ou"Primer"

Vermelho Itamaraty Metálico

Areia Casablanca

 

 

Fonte: Manual Para Vistoria E AvaliaçãoDe Veículo Antigo / Clube Do Carro Antigo De Londrina (CCAL) - PR

 

 

* Observação: não encontramos a relação de cores referente aos anos de 1968 e 1969.




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