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Sonho de Menino em dois tempos!!!!     
Em 1964, tinha apenas 8 anos, morava no Rio de Janeiro que até 1960 havia sido a capital do Brasil.
Carrões importados, do tipo Citröen Sapo, Mercedes Rabo de Peixe , Lincolns, DeSottos e Cadillacs estavam por todos os lugares, porém dentre os que mais me chamavam atenção estavam o Belo Fissore da DKW Vemag e a Simca Jangada.
Como todo bom brasileiro, gosto de carros e há cerca de 5 anos atrás, estava passeando de moto por um bairro de Curitiba e vi dois Fissores pra vender, na mesma casa.
Não via um Fissore há pelo menos 20 anos, o que dirá dois...
Não resisti, parei, xeretei e perguntei o preço. Ambos estavam em boas condições, porém necessitando de pintura nova, estofamento e mecânica um tanto o quanto estouradas.
Acabei comprando o dourado e pensei, um dia, compro o prateado também.
Reformei o dourado, começando pela mecânica: motor novo, feito com componentes importados, juntas homocinéticas novas, coifas, freios e depois a pintura.
Fazia mestrado na UFPR e uma noite fui à aula com ele Um amigo me torrou e amolou que queria compra-lo e eu disse: não vendo, mas sei quem tem mais um e o levei na casa aonde o prateado ainda estava pra ser vendido.
Em 2000, fui transferido pros Estados Unidos a serviço e tive que deixar o meu Fissore guardado e estaleirado na casa de um amigo.
Em 2001, recebi fotos do prateado do meu amigo, recém-restaurado ( não reformado ) e quase babei.
Lembro que disse pra ele: se eu estiver no Brasil e quiser vendê-lo, me avise.
Voltei pro Brasil em 2003.
Revi meu velho e empoeirado Fissore e recomecei a rodar bastante com ele: várias viagens : Santos, Caxambu, Águas de Lindóia, Londrina, Joinville, Florianópolis. Sempre o maior sucesso por onde passasse.
Um dia, meu amigo Aldemir me liga: estava de mudança pra Resende e não iria levar o Fissore prateado e queria saber se eu me interessava ainda. Disse claro: acabei comprando mais um.
O motor havia sido feito com tolerâncias erradas e esquentava e travava que era de encher o s...
Fiz tudo de novo, refiz o estofamento que estava errado, mandei fazer frisos laterais novos e assim mesmo acabei não me apaixonando muito por ele... porque será?
Passaram-se dez meses e apareceu um terceiro Fissore na minha vida. Desta vez Bege Camboriú. Mecânica e pintura novas. Estofamentos e carpetes originais e inclusive aquela pintura preta craquelada do painel e portas, original e intacta. Não resisti . Vendi a moto , apertei o cinto e o comprei.
Minha esposa me chamou de louco, ter um era pouco, dois era bom , mas três era demais.
Além do mais, havia sido seqüestrado e assaltado recentemente e penso em vender tudo e me mudar pros EUA...
Resolvi colocar anúncio pra vender um deles. Queria vender o dourado, pois era o menos perfeito, embora fosse o meu xodó....e talvez o prateado também e ficaria com o novo Bege até a hora de ir embora.
Fui a Londrina com o dourado e coloquei aquela triste placa de vende-se.Apareceram montes de interessados, mas infelizmente ou felizmente, neste ínterim uma pessoa de S. Paulo respondera ao anúncio de venda do dono anterior do Fissore Bege, que contou que havia vendido pra mim e se eu não me importasse, eles entrariam em contacto comigo.
Entraram em contacto, interessados no bege, mas que eu fizesse um preço pros três.
Nem dormi, eu queria pelo menos ficar com unzinho.
Em seguida, telefonaram pra mim e combinaram de vir ver os carros em Curitiba no dia 22/9.
Acabaram resolvendo ficar com os três. Fiquei triste, eu na realidade queria era ficar com o primeiro caso de amor, o dourado, mas eles eram colecionadores ,conhecem e sabem que os três estavam muito bons, coisa rara de se encontrar hoje em dia. Além de bons eram confiáveis e assim é que resolveram levá-los rodando até S. Paulo.
Pedi licença pro meu chefe, faltei ao trabalho e fizemos a minha última aventura com os três: dirigimos até S. Paulo, 400 km de estrada, trecho serrano e perigoso, vencidos em 6,5 horas de alegria.
Valeu como despedida. Era emocionante ver os carros que eram meus rodando a mais de 100 km/h me ultrapassando ou eu os ultrapassando na estrada.
Onde parávamos para checar água, abastecer, etc, aglomeravam-se pessoas para vê-los ou mesmo contar breve história de alguém que possuiu um na família.
A emoção da viagem terminou na Rodoviária do Tietê, para pegar o ônibus da meia-noite e retornar a Curitiba e qual não foi a minha surpresa quando o Gilberto, juntamente com o Einar, os novos felizes proprietários dos Fissores me levaram do galpão onde deixamos os três Fissores até a Rodoviária em uma Brasília simplesmente medonha!! Eu me imaginava indo de carona numa Cherokee ou algo do gênero...
Eu honestamente nunca tinha andado num carro tão baleado: ele nem tinha banco do passageiro na frente e o motor estava com bloco rachado, fazendo uma zoeira infernal e vazando óleo como um chafariz. Foi um barato.
Acho que se o Gilberto for mesmo reformar esta Brasília de estimação que era do sogro, o projeto será bem mais longo do que se ele quiser reformar de novo os três Fissores.
Dizem que uma paixão só cura com outra, enquanto não me mudo de país e vendo o resto, acho que vou procurar um outro Fissore pra distrair.


Colaboração: Renato Roesner - roesnerdkw@ibest.com.br